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Hérnia discal lombar: 5 sintomas, causas e tratamento

As hernias de disco costumam aparecer em que regiao da coluna

A hérnia discal lombar é uma das causas mais frequentes de dor nas costas que desce para a perna. Muitas pessoas conhecem esta dor como “ciática”. Neste artigo explicamos, de forma simples, o que é uma hérnia discal lombar, porque aparece, que sintomas provoca, como se confirma o diagnóstico e que tratamentos existem.

Ilustração de hérnia discal lombar a comprimir um nervo da coluna

O que é uma hérnia discal lombar

A coluna lombar é a parte de baixo das costas. É formada por cinco vértebras e, entre cada duas vértebras, existe um disco intervertebral. Cada disco funciona como um amortecedor: tem um anel exterior resistente e um centro mais mole, com uma consistência parecida com gel.

Uma hérnia discal lombar acontece quando parte desse centro sai através de uma fissura no anel exterior. O material que sai pode tocar ou comprimir uma raiz nervosa, ou seja, um dos nervos que saem da coluna em direção às pernas. É essa compressão, e a inflamação à volta, que explica a maior parte das queixas.

Causas e fatores de risco

Com a idade, os discos perdem água e flexibilidade e ficam mais sujeitos a pequenas fissuras. Por isso a hérnia discal lombar é mais comum em adultos em idade ativa. Outros fatores que aumentam o risco:

  • levantar pesos com a coluna dobrada, sobretudo se houver rotação ao mesmo tempo;
  • trabalhos com esforço físico repetido ou muitas horas sentado ao volante;
  • excesso de peso;
  • tabagismo, que prejudica a nutrição do disco;
  • falta de exercício e músculos do tronco pouco fortes;
  • casos na família.

Muitas vezes não existe um único momento que explique a hérnia. O disco vai enfraquecendo ao longo do tempo e um esforço banal acaba por desencadear os sintomas.

Sintomas da hérnia discal lombar

Os sintomas dependem do nível da hérnia e do nervo afetado. Os mais comuns são:

  • dor na zona lombar, que pode ser a primeira queixa;
  • dor que desce pela nádega e pela parte de trás ou de lado da perna, por vezes até ao pé (ciática);
  • formigueiro ou dormência numa zona da perna ou do pé;
  • falta de força, por exemplo dificuldade em andar em bicos de pés ou nos calcanhares;
  • dor que piora ao tossir, espirrar ou ficar muito tempo sentado.

Nem todas as hérnias dão sintomas. É frequente uma ressonância mostrar alterações nos discos em pessoas que não têm qualquer queixa, por isso o exame só tem valor quando é lido em conjunto com a observação médica.

Sinais de alerta

Procure de imediato uma urgência se, além da dor, notar perda de controlo da urina ou das fezes, dormência na zona genital ou na parte interna das coxas, ou perda de força nas pernas que está a piorar. Estes sinais podem indicar uma compressão grave dos nervos, a chamada síndrome da cauda equina, que precisa de avaliação urgente.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta. O ortopedista ouve a história da dor, observa a coluna e faz um exame neurológico simples: testa a força, a sensibilidade e os reflexos das pernas, e faz manobras que esticam o nervo para perceber se está irritado.

Quando os sintomas persistem, quando há perda de força ou quando se pondera um tratamento mais invasivo, o exame de eleição é a ressonância magnética da coluna lombar, que mostra os discos e os nervos com detalhe. Em alguns casos podem ser pedidos outros exames, como a eletromiografia, para avaliar o funcionamento dos nervos.

Tratamento da hérnia discal lombar

Em muitas pessoas os sintomas aliviam ao longo de algumas semanas, porque o corpo consegue reabsorver parte do material do disco e a inflamação diminui. Por isso o tratamento começa quase sempre por medidas conservadoras, ajustadas a cada caso:

  • manter-se ativo dentro do que a dor permite, evitando o repouso prolongado na cama;
  • medicação para a dor e a inflamação, sempre receitada pelo médico;
  • fisioterapia, com exercícios para fortalecer o tronco e melhorar a mobilidade;
  • infiltrações junto ao nervo afetado, em casos selecionados, para reduzir a inflamação.

A cirurgia é considerada quando a dor não melhora com o tratamento conservador ao fim de um período adequado, quando há perda de força importante ou progressiva, ou de imediato perante sinais de alerta como os descritos acima. A técnica mais usada é a microdiscectomia, que remove apenas o fragmento do disco que está a comprimir o nervo. A indicação, os benefícios e os riscos são sempre discutidos em consulta, caso a caso.

Prevenção no dia a dia

Nem todas as hérnias se podem evitar, mas alguns hábitos protegem a coluna:

  • fazer exercício com regularidade, incluindo o fortalecimento dos músculos abdominais e das costas;
  • levantar pesos com os joelhos fletidos e a carga junto ao corpo;
  • fazer pausas e mudar de posição quando passa muitas horas sentado;
  • manter um peso saudável e não fumar.

Quando procurar um ortopedista

Deve marcar uma consulta se a dor lombar ou na perna durar mais do que algumas semanas, se voltar com frequência, se o impedir de trabalhar ou dormir, ou se tiver formigueiro, dormência ou falta de força. Perante os sinais de alerta descritos acima, não espere pela consulta e dirija-se a uma urgência.

Este artigo tem informação geral e não substitui uma avaliação médica. Cada caso de hérnia discal lombar é diferente, e só a observação em consulta permite propor o tratamento adequado. Pode conhecer o percurso do Dr. Miguel Carvalho e ver outras condições e patologias da coluna e da anca.

Para saber mais: Hérnia discal lombar, artigo de revisão na Revista Brasileira de Ortopedia (SciELO, acesso aberto).

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