Coxartrose: sintomas e tratamento da artrose da anca

Custa calçar as meias, entrar e sair do carro torna-se um pequeno esforço e a caminhada que antes era um prazer passa a doer na virilha. Estes são sinais frequentes de coxartrose, o nome médico da artrose da anca. Neste artigo explicamos o que acontece à articulação, como se faz o diagnóstico, o que pode fazer sem cirurgia e quando se considera uma prótese.
O que é a coxartrose
A anca é a articulação entre a cabeça do fémur, em forma de bola, e uma cavidade da bacia chamada acetábulo. As duas superfícies estão cobertas por cartilagem, um tecido liso que permite o deslizamento sem atrito.
Na coxartrose, essa cartilagem vai-se desgastando. O osso por baixo reage, formam-se pequenos esporões (osteófitos) e a articulação fica mais rígida e dolorosa. É um processo habitualmente lento, que pode estabilizar durante longos períodos.
Em muitas pessoas, a coxartrose surge sem causa aparente. Noutras, é consequência de alterações da forma da anca presentes desde jovem, de fraturas antigas ou de outras doenças da articulação.
Causas e fatores de risco
- idade, sobretudo a partir dos 50 anos;
- casos de artrose na família;
- excesso de peso;
- alterações da forma da anca, como a displasia ou o conflito femoro-acetabular;
- fraturas ou lesões anteriores da anca;
- doenças da anca na infância;
- algumas doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide;
- trabalhos ou desportos com cargas intensas e repetidas.
Sintomas
- dor na virilha, que pode estender-se pela parte da frente da coxa até ao joelho;
- por vezes, a dor sente-se sobretudo no joelho, o que pode confundir;
- dor ao andar, ao levantar-se de uma cadeira ou ao subir escadas;
- rigidez de manhã ou depois de estar sentado, que habitualmente passa em menos de meia hora;
- dificuldade em calçar meias e sapatos, cortar as unhas dos pés ou entrar no carro;
- coxear;
- nas fases mais avançadas, dor em repouso ou de noite.
Sinais de alerta
Procure uma urgência se tiver dor súbita e muito intensa na anca com incapacidade de apoiar a perna, sobretudo depois de uma queda, ou se a dor surgir com febre e mal-estar geral.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na conversa e na observação. O ortopedista avalia a forma como anda, a mobilidade da anca e quais os movimentos que provocam dor. Também examina a coluna e o joelho, porque podem dar queixas parecidas.
A radiografia da bacia e da anca confirma o diagnóstico, mostra o grau de desgaste e ajuda a planear o tratamento. A ressonância magnética raramente é necessária, ficando para situações em que há dúvidas sobre a causa da dor.
Tratamento da coxartrose
Tratamento conservador
O tratamento sem cirurgia é o primeiro passo e pode aliviar a dor durante muito tempo:
- exercício terapêutico, com fortalecimento dos músculos da anca e da coxa e exercício aeróbio, como andar a pé, bicicleta ou hidroginástica. É o tratamento de base recomendado pelas diretrizes e ajuda a manter a força e a mobilidade;
- perda de peso, quando há excesso, porque diminui a carga sobre a articulação;
- fisioterapia, para orientar os exercícios e melhorar a mobilidade;
- ajudas técnicas, como uma bengala na mão do lado oposto à anca com dor, calçado confortável ou um alteador de sanita;
- medicação, como anti-inflamatórios na menor dose e pelo menor tempo possível, sempre decididos pelo médico;
- infiltração de corticoide na articulação, guiada por imagem, que pode aliviar a dor durante algumas semanas em períodos de crise, por exemplo para facilitar o exercício.
Quando se considera cirurgia
A cirurgia é considerada quando a dor e a limitação afetam muito a qualidade de vida e não melhoram com o tratamento conservador. Não há uma idade certa nem um grau de desgaste na radiografia que, sozinho, decida: conta sobretudo o impacto no dia a dia de cada pessoa.
A cirurgia mais frequente é a artroplastia total da anca, ou seja, a colocação de uma prótese que substitui a cabeça do fémur e reveste o acetábulo. Existem várias vias de acesso à articulação (anterior, lateral ou posterior) e diferentes formas de fixação da prótese ao osso. A escolha depende da anatomia, da qualidade do osso e da experiência da equipa, e é explicada em consulta. A longo prazo, os resultados das diferentes vias de acesso são, em geral, semelhantes.
Na maioria dos casos, a pessoa levanta-se e começa a andar com ajuda no dia da cirurgia ou no dia seguinte. As canadianas são habitualmente usadas entre 2 e 6 semanas. A recuperação mais completa leva habitualmente 3 a 6 meses, e a melhoria pode continuar até cerca de um ano. Varia de pessoa para pessoa.
No dia a dia
- Mantenha-se ativo: o movimento não «gasta» mais a anca, e a inatividade enfraquece os músculos que a protegem.
- Prefira atividades de baixo impacto, como andar a pé em terreno plano, nadar ou pedalar.
- Use cadeiras mais altas e com braços, que facilitam levantar-se.
- Distribua as tarefas mais pesadas ao longo do dia.
Perguntas frequentes
A artrose da anca tem cura?
A cartilagem desgastada não se regenera. Mas a dor e a mobilidade podem melhorar muito com o tratamento adequado, e quando já não chega, a prótese permite a muitas pessoas retomar as atividades do dia a dia.
Qual é a altura certa para pôr uma prótese da anca?
Quando a dor e a limitação pesam mais do que os riscos e o tempo de recuperação da cirurgia, e o tratamento conservador deixou de ajudar. É uma decisão pessoal, tomada em consulta.
Posso conduzir depois de uma prótese da anca?
Habitualmente, sim, ao fim de cerca de 6 semanas, quando já controla bem a perna e consegue travar com segurança. Depende do lado operado, do tipo de carro e da recuperação de cada pessoa. Confirme com o médico antes de voltar a conduzir.
Caminhar faz mal à artrose?
Em geral, não. Caminhar com regularidade e a um ritmo confortável ajuda a manter a força e a mobilidade. Se a dor aumentar muito depois da caminhada, ajuste a distância e fale com o médico ou o fisioterapeuta.
Quando marcar consulta
Marque uma consulta se tiver dor na virilha, na coxa ou no joelho que dura há várias semanas, que limita a marcha ou o sono, ou se notar que está a perder mobilidade na anca. A artrose também é frequente no joelho; se tiver queixas nas duas articulações, leia o nosso artigo sobre a gonartrose.
Para avaliar a sua anca e conhecer as opções adequadas ao seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.
Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (NG226). NICE (National Institute for Health and Care Excellence), 2022.
- Artroplastia Total da Anca (Norma n.º 014/2013). Direção-Geral da Saúde (DGS) e Ordem dos Médicos, 2013.
- Osteoarthritis: treatment and support. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2023.
- Recovering from a hip replacement. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2024.
- Osteoarthritis of the Hip. AAOS OrthoInfo (American Academy of Orthopaedic Surgeons), s.d. (consultado em 2026).
