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Coxartrose: sintomas e tratamento da artrose da anca

Homem de cerca de 70 anos caminha à beira-rio com uma bengala, com expressão tranquila

Custa calçar as meias, entrar e sair do carro torna-se um pequeno esforço e a caminhada que antes era um prazer passa a doer na virilha. Estes são sinais frequentes de coxartrose, o nome médico da artrose da anca. Neste artigo explicamos o que acontece à articulação, como se faz o diagnóstico, o que pode fazer sem cirurgia e quando se considera uma prótese.

O que é a coxartrose

A anca é a articulação entre a cabeça do fémur, em forma de bola, e uma cavidade da bacia chamada acetábulo. As duas superfícies estão cobertas por cartilagem, um tecido liso que permite o deslizamento sem atrito.

Na coxartrose, essa cartilagem vai-se desgastando. O osso por baixo reage, formam-se pequenos esporões (osteófitos) e a articulação fica mais rígida e dolorosa. É um processo habitualmente lento, que pode estabilizar durante longos períodos.

Em muitas pessoas, a coxartrose surge sem causa aparente. Noutras, é consequência de alterações da forma da anca presentes desde jovem, de fraturas antigas ou de outras doenças da articulação.

Causas e fatores de risco

  • idade, sobretudo a partir dos 50 anos;
  • casos de artrose na família;
  • excesso de peso;
  • alterações da forma da anca, como a displasia ou o conflito femoro-acetabular;
  • fraturas ou lesões anteriores da anca;
  • doenças da anca na infância;
  • algumas doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide;
  • trabalhos ou desportos com cargas intensas e repetidas.

Sintomas

  • dor na virilha, que pode estender-se pela parte da frente da coxa até ao joelho;
  • por vezes, a dor sente-se sobretudo no joelho, o que pode confundir;
  • dor ao andar, ao levantar-se de uma cadeira ou ao subir escadas;
  • rigidez de manhã ou depois de estar sentado, que habitualmente passa em menos de meia hora;
  • dificuldade em calçar meias e sapatos, cortar as unhas dos pés ou entrar no carro;
  • coxear;
  • nas fases mais avançadas, dor em repouso ou de noite.

Sinais de alerta

Procure uma urgência se tiver dor súbita e muito intensa na anca com incapacidade de apoiar a perna, sobretudo depois de uma queda, ou se a dor surgir com febre e mal-estar geral.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico baseia-se na conversa e na observação. O ortopedista avalia a forma como anda, a mobilidade da anca e quais os movimentos que provocam dor. Também examina a coluna e o joelho, porque podem dar queixas parecidas.

A radiografia da bacia e da anca confirma o diagnóstico, mostra o grau de desgaste e ajuda a planear o tratamento. A ressonância magnética raramente é necessária, ficando para situações em que há dúvidas sobre a causa da dor.

Tratamento da coxartrose

Tratamento conservador

O tratamento sem cirurgia é o primeiro passo e pode aliviar a dor durante muito tempo:

  • exercício terapêutico, com fortalecimento dos músculos da anca e da coxa e exercício aeróbio, como andar a pé, bicicleta ou hidroginástica. É o tratamento de base recomendado pelas diretrizes e ajuda a manter a força e a mobilidade;
  • perda de peso, quando há excesso, porque diminui a carga sobre a articulação;
  • fisioterapia, para orientar os exercícios e melhorar a mobilidade;
  • ajudas técnicas, como uma bengala na mão do lado oposto à anca com dor, calçado confortável ou um alteador de sanita;
  • medicação, como anti-inflamatórios na menor dose e pelo menor tempo possível, sempre decididos pelo médico;
  • infiltração de corticoide na articulação, guiada por imagem, que pode aliviar a dor durante algumas semanas em períodos de crise, por exemplo para facilitar o exercício.

Quando se considera cirurgia

A cirurgia é considerada quando a dor e a limitação afetam muito a qualidade de vida e não melhoram com o tratamento conservador. Não há uma idade certa nem um grau de desgaste na radiografia que, sozinho, decida: conta sobretudo o impacto no dia a dia de cada pessoa.

A cirurgia mais frequente é a artroplastia total da anca, ou seja, a colocação de uma prótese que substitui a cabeça do fémur e reveste o acetábulo. Existem várias vias de acesso à articulação (anterior, lateral ou posterior) e diferentes formas de fixação da prótese ao osso. A escolha depende da anatomia, da qualidade do osso e da experiência da equipa, e é explicada em consulta. A longo prazo, os resultados das diferentes vias de acesso são, em geral, semelhantes.

Na maioria dos casos, a pessoa levanta-se e começa a andar com ajuda no dia da cirurgia ou no dia seguinte. As canadianas são habitualmente usadas entre 2 e 6 semanas. A recuperação mais completa leva habitualmente 3 a 6 meses, e a melhoria pode continuar até cerca de um ano. Varia de pessoa para pessoa.

No dia a dia

  • Mantenha-se ativo: o movimento não «gasta» mais a anca, e a inatividade enfraquece os músculos que a protegem.
  • Prefira atividades de baixo impacto, como andar a pé em terreno plano, nadar ou pedalar.
  • Use cadeiras mais altas e com braços, que facilitam levantar-se.
  • Distribua as tarefas mais pesadas ao longo do dia.

Perguntas frequentes

A artrose da anca tem cura?

A cartilagem desgastada não se regenera. Mas a dor e a mobilidade podem melhorar muito com o tratamento adequado, e quando já não chega, a prótese permite a muitas pessoas retomar as atividades do dia a dia.

Qual é a altura certa para pôr uma prótese da anca?

Quando a dor e a limitação pesam mais do que os riscos e o tempo de recuperação da cirurgia, e o tratamento conservador deixou de ajudar. É uma decisão pessoal, tomada em consulta.

Posso conduzir depois de uma prótese da anca?

Habitualmente, sim, ao fim de cerca de 6 semanas, quando já controla bem a perna e consegue travar com segurança. Depende do lado operado, do tipo de carro e da recuperação de cada pessoa. Confirme com o médico antes de voltar a conduzir.

Caminhar faz mal à artrose?

Em geral, não. Caminhar com regularidade e a um ritmo confortável ajuda a manter a força e a mobilidade. Se a dor aumentar muito depois da caminhada, ajuste a distância e fale com o médico ou o fisioterapeuta.

Quando marcar consulta

Marque uma consulta se tiver dor na virilha, na coxa ou no joelho que dura há várias semanas, que limita a marcha ou o sono, ou se notar que está a perder mobilidade na anca. A artrose também é frequente no joelho; se tiver queixas nas duas articulações, leia o nosso artigo sobre a gonartrose.

Para avaliar a sua anca e conhecer as opções adequadas ao seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (NG226). NICE (National Institute for Health and Care Excellence), 2022.
  2. Artroplastia Total da Anca (Norma n.º 014/2013). Direção-Geral da Saúde (DGS) e Ordem dos Médicos, 2013.
  3. Osteoarthritis: treatment and support. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2023.
  4. Recovering from a hip replacement. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2024.
  5. Osteoarthritis of the Hip. AAOS OrthoInfo (American Academy of Orthopaedic Surgeons), s.d. (consultado em 2026).

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