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Dor lombar crónica: causas, sintomas e tratamento

Homem de meia-idade faz um exercício suave para as costas, acompanhado por uma fisioterapeuta

A dor lombar crónica é aquela dor nas costas que não desaparece: está presente ao acordar, volta ao fim de um dia de trabalho e começa a decidir o que pode ou não fazer. Muitas pessoas acabam por evitar pegar nos netos, jardinar ou fazer uma viagem longa de carro. Neste artigo explicamos porque é que a dor se mantém, que sinais pedem atenção rápida, quando são precisos exames e que tratamentos podem ajudar.

O que é a dor lombar crónica

A coluna lombar é a parte de baixo das costas, entre as últimas costelas e as nádegas. Fala-se de dor lombar crónica quando a dor dura mais de 12 semanas, ou seja, cerca de três meses.

Na maioria das pessoas, a dor é considerada inespecífica. Isto quer dizer que não se encontra uma lesão única que a explique, mesmo depois de uma boa observação. Não significa que a dor seja imaginária. Significa que resulta de vários fatores ao mesmo tempo: músculos, articulações, discos, a forma como o sistema nervoso processa a dor, o sono e o stress.

Numa parte menor dos casos existe uma causa concreta, como uma hérnia discal, um estreitamento do canal lombar, um deslizamento de vértebras (espondilolistese) ou, mais raramente, uma fratura, uma infeção ou uma doença inflamatória.

Causas e fatores de risco

Alguns fatores tornam a dor lombar mais provável ou mais difícil de passar:

  • desgaste natural dos discos e das pequenas articulações da coluna, que é comum com a idade;
  • falta de exercício e músculos do tronco pouco treinados;
  • excesso de peso;
  • tabagismo;
  • trabalhos com cargas, vibração ou muitas horas sentado;
  • episódios anteriores de dor nas costas;
  • stress, ansiedade, tristeza persistente ou sono de má qualidade;
  • medo de se mexer, que leva a evitar o movimento e a perder força.

É importante saber que o desgaste visto nos exames é muito frequente em pessoas sem qualquer dor. Por isso, uma imagem de «coluna gasta» não explica, por si só, a dor de cada pessoa.

Sintomas

As queixas variam de pessoa para pessoa. As mais comuns são:

  • dor surda ou em moinha na parte de baixo das costas;
  • rigidez ao acordar ou depois de estar muito tempo na mesma posição;
  • dor que piora ao dobrar-se, ao levantar pesos ou ao ficar muito tempo de pé ou sentado;
  • dor que se pode estender às nádegas ou às coxas;
  • dias melhores e dias piores, por vezes sem razão aparente;
  • cansaço e dificuldade em dormir por causa da dor.

Quando a dor desce abaixo do joelho, com formigueiro ou dormência no pé, pode haver um nervo irritado. É o que acontece, por exemplo, na hérnia discal lombar.

Sinais de alerta

Dirija-se de imediato a uma urgência se tiver dor nas costas acompanhada de:

  • perda de controlo da urina ou das fezes, ou dificuldade em urinar;
  • dormência na zona genital, no ânus ou na parte interna das coxas;
  • perda de força nas pernas que está a piorar.

Marque uma avaliação médica rápida se a dor surgir com febre, perda de peso sem explicação, história de cancro, dor noturna intensa que não alivia em repouso, ou depois de uma queda em alguém com osteoporose.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta. O ortopedista pergunta como começou a dor, o que a agrava e o que a alivia, e de que forma afeta o dia a dia. Depois observa a coluna e faz um exame neurológico simples, com testes de força, sensibilidade e reflexos das pernas.

Na maioria das pessoas com dor lombar sem sinais de alerta, não é necessário fazer exames de imagem por rotina. As diretrizes internacionais desaconselham-nos porque raramente mudam o tratamento e podem gerar preocupação desnecessária.

A ressonância magnética é pedida quando há sinais de alerta, sintomas neurológicos, dor na perna que não melhora, ou quando se pondera um tratamento mais invasivo. Em alguns casos podem ser úteis radiografias em pé ou análises ao sangue.

Tratamento da dor lombar crónica

O tratamento é ajustado a cada pessoa. O objetivo é reduzir a dor e, sobretudo, recuperar a capacidade de fazer o que é importante para si.

Tratamento conservador

  • Exercício. É a base do tratamento. Pode ser em grupo ou individual, com fortalecimento, alongamentos, pilates clínico, hidroginástica ou simplesmente andar a pé com regularidade. Muitas vezes, o exercício mais útil é aquele que a pessoa consegue manter.
  • Manter-se ativo. O repouso prolongado na cama tende a piorar a rigidez e a perda de força.
  • Fisioterapia. Ajuda a planear o exercício e a ganhar confiança no movimento. As técnicas manuais podem ser úteis quando fazem parte de um programa com exercício.
  • Apoio psicológico. Quando a dor afeta muito o sono, o humor ou o trabalho, programas que combinam exercício com estratégias para lidar com a dor podem ajudar.
  • Medicação. Os anti-inflamatórios podem aliviar períodos de dor, na menor dose e pelo menor tempo possível, depois de avaliados os riscos para o estômago, os rins e o coração. Alguns medicamentos comuns têm pouco benefício na dor crónica. A medicação é sempre decidida pelo médico.
  • Tratamentos de intervenção. Em casos selecionados, quando a dor tem origem nas pequenas articulações da coluna, pode ser considerada a radiofrequência, depois de um bloqueio diagnóstico com resultado positivo.

Quando se considera cirurgia

A cirurgia raramente é indicada para a dor lombar crónica sem uma causa bem identificada. Quando existe uma causa concreta, como uma compressão de nervos, um estreitamento do canal ou uma espondilolistese que não melhora com o tratamento conservador, a cirurgia pode ser discutida.

As técnicas mais usadas são a descompressão, que liberta os nervos, e a artrodese, que fixa duas ou mais vértebras. A recuperação depende da técnica: depois de uma descompressão, o regresso a atividades leves faz-se habitualmente em 2 a 6 semanas; depois de uma artrodese, a recuperação leva habitualmente vários meses, e a recuperação completa pode chegar a um ano. Varia de pessoa para pessoa.

No dia a dia

  • Faça exercício com regularidade, mesmo nos dias menos bons, adaptando a intensidade.
  • Quando passa muitas horas sentado, levante-se e mexa-se a cada 30 a 60 minutos.
  • Levante pesos com os joelhos fletidos e a carga junto ao corpo.
  • Cuide do sono e procure manter um peso saudável.
  • Se fuma, deixar de fumar também protege a coluna.

Perguntas frequentes

A dor lombar crónica tem cura?

Em muitos casos a dor melhora de forma significativa e a pessoa recupera a vida normal, mesmo que possa haver dias piores. O objetivo realista é controlar a dor e recuperar a função, com um plano adaptado a cada pessoa.

Devo fazer repouso quando tenho dor nas costas?

Em geral, não. Um ou dois dias mais calmos podem ajudar numa crise, mas o repouso prolongado tende a piorar a dor. Manter-se ativo dentro do que a dor permite é, habitualmente, mais benéfico.

Preciso de fazer uma ressonância magnética?

Nem sempre. Sem sinais de alerta nem sintomas nos nervos, a ressonância raramente muda o tratamento. O médico decide se e quando é útil.

Quando é preciso operar a dor lombar?

Só em situações selecionadas, quando há uma causa concreta que a cirurgia pode resolver e o tratamento conservador não resultou. A decisão é sempre tomada em consulta, depois de discutidos os benefícios e os riscos.

Quando marcar consulta

Marque uma consulta de ortopedia se a dor nas costas durar mais de algumas semanas, se voltar com frequência, se o impedir de trabalhar ou dormir, ou se tiver dor, formigueiro ou falta de força numa perna. Perante os sinais de alerta descritos acima, não espere pela consulta e dirija-se a uma urgência.

Se quiser perceber a origem da sua dor e o tratamento mais adequado ao seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). NICE (National Institute for Health and Care Excellence), 2016, atualizada em 2026.
  2. Lombalgia: Intervenções terapêuticas. Ordem dos Farmacêuticos, Centro de Informação do Medicamento, 2025.
  3. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews (Hayden JA et al.), 2021.
  4. Back pain. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2026.

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