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Escoliose: sintomas e tratamento no adulto e no adolescente

Mãe e filha adolescente conversam com um médico numa consulta, num gabinete claro

A escoliose costuma ser descoberta por acaso: uma mãe repara que um ombro da filha está mais alto do que o outro, ou um adulto nota que as calças já não assentam da mesma forma e que as costas doem ao fim do dia. Pode surgir na adolescência ou aparecer mais tarde, com o desgaste da coluna. Neste artigo explicamos o que é a escoliose, como se mede, quando basta vigiar e quando se pondera um colete ou uma cirurgia.

O que é a escoliose

Vista de trás, a coluna é normalmente direita. Na escoliose, a coluna desvia-se para um dos lados e as vértebras rodam sobre si próprias. Fala-se de escoliose quando esse desvio, medido numa radiografia, tem um ângulo superior a 10 graus. Este ângulo chama-se ângulo de Cobb.

Existem vários tipos. Os mais frequentes são:

  • escoliose idiopática do adolescente: surge durante o crescimento, habitualmente entre os 10 e os 18 anos, sem causa conhecida;
  • escoliose do adulto: pode ser uma curva que vem da adolescência ou uma curva nova, chamada degenerativa, que aparece depois dos 50 anos com o desgaste desigual dos discos e das articulações da coluna;
  • outras formas menos frequentes, ligadas a malformações das vértebras presentes desde o nascimento ou a doenças neurológicas e musculares.

A má postura ou o peso da mochila não causam escoliose estrutural. Podem provocar desconforto, mas não deformam a coluna.

Causas e fatores de risco

  • casos de escoliose na família;
  • sexo feminino, sobretudo nas curvas que aumentam durante a adolescência;
  • fase de crescimento rápido, na puberdade, em que as curvas podem progredir;
  • no adulto, o desgaste dos discos e das articulações da coluna;
  • osteoporose e fraturas vertebrais, que podem agravar a curva;
  • doenças neuromusculares e malformações congénitas das vértebras.

Sintomas

No adolescente, a escoliose raramente dói. Os sinais são sobretudo visíveis:

  • um ombro mais alto do que o outro;
  • uma omoplata mais saliente;
  • cintura assimétrica ou uma anca que parece mais alta;
  • tronco desviado para um dos lados;
  • uma bossa nas costas quando a pessoa se dobra para a frente.

No adulto, as queixas mais comuns são:

  • dor lombar e rigidez, que pioram ao longo do dia;
  • cansaço ao estar de pé ou ao andar;
  • perda de altura;
  • tendência a inclinar o tronco para a frente ou para um lado;
  • dor, peso ou formigueiro nas pernas ao andar, que alivia ao sentar, quando há estreitamento do canal onde passam os nervos.

Sinais de alerta

Num adolescente, dor nas costas intensa, dor que acorda de noite ou alterações de força e sensibilidade nas pernas não são típicas da escoliose idiopática e devem ser avaliadas para excluir outras causas.

Em qualquer idade, procure uma urgência se surgir perda de força nas pernas que está a piorar, dormência na zona genital ou perda de controlo da urina ou das fezes.

Como se faz o diagnóstico

Na consulta, o médico observa as costas em pé e com o tronco dobrado para a frente. Este gesto, chamado teste de Adams, torna visível a bossa causada pela rotação das vértebras.

O exame principal é a radiografia de toda a coluna, em pé, de frente e de perfil. Permite medir o ângulo de Cobb e, no adulto, avaliar o equilíbrio da coluna. No adolescente, o médico avalia também o crescimento que ainda falta, porque as curvas tendem a progredir sobretudo enquanto se cresce.

A ressonância magnética é pedida em situações específicas, por exemplo quando há dor nas pernas, alterações no exame neurológico ou uma curva com características pouco habituais.

Tratamento da escoliose

No adolescente

O tratamento depende do tamanho da curva e do crescimento que ainda falta:

  • vigilância: nas curvas pequenas, faz-se observação e radiografias periódicas, para perceber se a curva aumenta;
  • colete (ortótese): em curvas moderadas, habitualmente entre 25 e 45 graus, em jovens que ainda estão a crescer, o colete pode travar a progressão da curva quando usado as horas recomendadas;
  • exercícios específicos para a escoliose: podem ser um complemento, sempre orientados por profissionais com formação nesta área;
  • cirurgia: é considerada nas curvas grandes, habitualmente acima de 45 a 50 graus, ou que continuam a aumentar apesar do tratamento.

A cirurgia mais usada é a artrodese posterior com instrumentação: com parafusos e barras, corrige-se parte da curva e fixam-se as vértebras envolvidas. O regresso à escola faz-se habitualmente ao fim de algumas semanas, e o desporto mais tarde, muitas vezes ao fim de 6 a 12 meses. Alguns desportos de colisão podem ser desaconselhados. Varia de pessoa para pessoa.

No adulto

No adulto, o objetivo principal é aliviar a dor e manter a capacidade de andar e de fazer a vida diária. O tratamento começa quase sempre por medidas conservadoras:

  • exercício e fisioterapia, para fortalecer o tronco e melhorar o equilíbrio;
  • medicação para a dor, receitada pelo médico;
  • infiltrações, em casos selecionados, quando há um nervo irritado;
  • avaliação e tratamento da osteoporose, quando existe.

A cirurgia é considerada quando a dor é incapacitante e não melhora, quando há compressão de nervos com dor nas pernas ou perda de força, ou quando o tronco fica cada vez mais desequilibrado. Pode ir de uma descompressão limitada a uma correção com artrodese de vários níveis. São cirurgias com riscos que dependem da extensão e da saúde geral de cada pessoa, e a decisão é sempre ponderada em conjunto. A recuperação completa leva habitualmente muitos meses e pode demorar um ano ou mais.

Perguntas frequentes

A escoliose tem cura?

A curva estrutural não desaparece sozinha. Mas muitas pessoas com escoliose têm uma vida normal e ativa. O tratamento procura evitar que a curva aumente e, quando há sintomas, aliviá-los.

O colete corrige a escoliose?

Habitualmente, o colete não endireita a coluna. O objetivo é impedir que a curva aumente durante o crescimento, o que em muitos casos permite evitar a cirurgia.

A escoliose pode piorar na idade adulta?

As curvas pequenas tendem a manter-se estáveis. As curvas maiores podem continuar a aumentar lentamente ao longo dos anos, por isso é aconselhável vigilância periódica.

Quem tem escoliose pode fazer desporto?

Em regra, sim. O exercício é recomendado e ajuda a manter a força e a mobilidade. Depois de uma cirurgia, o regresso a cada modalidade é combinado com o médico.

Quando marcar consulta

Marque uma consulta se notar assimetria nos ombros, na cintura ou nas costas de uma criança ou adolescente, se uma curva já conhecida parecer estar a aumentar, ou se for adulto e tiver dor nas costas ou nas pernas que limita a marcha. No adulto, a escoliose é muitas vezes uma das causas de dor lombar crónica.

Para uma avaliação adaptada à sua idade e ao seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Escoliose idiopática do adolescente: prática desportiva após cirurgia de correção. Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), 2018.
  2. Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis (BrAIST). New England Journal of Medicine (Weinstein SL et al.), 2013.
  3. Idiopathic Scoliosis in Children and Adolescents. AAOS OrthoInfo (American Academy of Orthopaedic Surgeons), s.d. (consultado em 2026).
  4. Bracing. Scoliosis Research Society, s.d. (consultado em 2026).
  5. Scoliosis: treatment in adults. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2023.

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