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Fratura do colo do fémur no idoso: tratamento e recuperação

Senhor de cerca de 80 anos dá passos com um andarilho, acompanhado por uma fisioterapeuta

Uma queda em casa, ao levantar-se de noite ou ao tropeçar num tapete, e de repente a pessoa não consegue pôr-se de pé, com uma dor forte na anca. Em pessoas mais velhas, esta situação é muitas vezes uma fratura do colo do fémur. É uma lesão séria, mas que tem tratamento. Neste artigo explicamos o que fazer no momento, porque se opera cedo, que cirurgias existem, como é a recuperação e como prevenir uma nova fratura.

O que é a fratura do colo do fémur

O fémur é o osso da coxa. Na parte de cima, tem uma cabeça em forma de bola, que encaixa na bacia, ligada ao resto do osso por uma zona mais estreita, o colo do fémur. Logo abaixo fica a região trocantérica.

As fraturas nesta zona chamam-se, em conjunto, fraturas da anca ou fraturas proximais do fémur. Distinguem-se dois grandes grupos, que se tratam de forma diferente:

  • fraturas do colo do fémur, dentro da cápsula da articulação;
  • fraturas trocantéricas, um pouco mais abaixo, fora da articulação.

Nas pessoas mais velhas, a maioria acontece depois de uma queda simples, da própria altura, porque o osso está fragilizado pela osteoporose.

Causas e fatores de risco

  • idade avançada;
  • osteoporose;
  • sexo feminino;
  • quedas, favorecidas por falta de equilíbrio, fraqueza muscular, má visão ou calçado inadequado;
  • medicamentos que causam sonolência, tonturas ou quebras de tensão;
  • obstáculos em casa, como tapetes soltos, fios e pouca luz;
  • fratura anterior por fragilidade;
  • baixo peso, tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • demência e outras doenças que afetam o equilíbrio.

Sintomas

  • dor intensa na virilha ou na anca depois de uma queda;
  • incapacidade de se levantar ou de apoiar o peso na perna;
  • perna afetada mais curta e rodada para fora;
  • nódoa negra e inchaço na zona da anca, por vezes nos dias seguintes.

Em algumas fraturas, em que o osso fica encaixado, a pessoa ainda consegue andar com dor. Por isso, dor persistente na anca depois de uma queda deve ser sempre avaliada.

Sinais de alerta: o que fazer

  • Não tente levantar a pessoa à força.
  • Ligue 112.
  • Mantenha a pessoa confortável e agasalhada até à chegada do socorro.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico é feito no serviço de urgência. O médico observa a anca e pede uma radiografia da bacia e da anca, que na maioria dos casos mostra a fratura.

Quando a radiografia não mostra fratura, mas a suspeita se mantém, pode ser pedida uma ressonância magnética ou uma TAC.

Ao mesmo tempo, avalia-se a saúde geral: análises, eletrocardiograma, medicação habitual (sobretudo anticoagulantes) e outras doenças, para preparar a cirurgia com segurança.

Tratamento da fratura do colo do fémur

Porque se opera cedo

Na grande maioria das pessoas, o tratamento é cirúrgico, e as diretrizes recomendam que a cirurgia seja feita no dia da admissão ou no dia seguinte, assim que a pessoa esteja estável. Operar cedo permite levantar e andar mais depressa, e ajuda a reduzir complicações de ficar acamado, como infeções respiratórias, feridas de pressão e tromboses. Em Portugal, a percentagem de fraturas da anca operadas nas primeiras 48 horas é um dos indicadores usados para avaliar a qualidade dos hospitais do SNS.

O tratamento sem cirurgia é raro e reservado a situações muito particulares, decididas com a família e a equipa.

Que cirurgias existem

A técnica depende do tipo de fratura, da idade biológica, da autonomia antes da queda e da saúde geral:

  • fixação interna com parafusos, nas fraturas do colo sem desvio, que mantém a anca da própria pessoa;
  • hemiartroplastia, que substitui apenas a cabeça do fémur por uma prótese, em fraturas com desvio;
  • prótese total da anca, que substitui também a cavidade da bacia, considerada em pessoas que andavam de forma autónoma antes da queda e têm boa saúde geral;
  • cavilha ou placa com parafuso, nas fraturas trocantéricas.

Recuperação

O objetivo é levantar a pessoa logo no dia seguinte à cirurgia, com a ajuda do fisioterapeuta. Na maioria dos casos é permitido apoiar a perna desde o início, com andarilho ou canadianas.

A recuperação envolve uma equipa: ortopedista, médico de medicina interna ou de geriatria, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional e apoio social. O internamento dura habitualmente de alguns dias a algumas semanas. Depois da alta, a reabilitação continua em casa ou numa unidade de reabilitação, durante várias semanas a meses.

Muitas pessoas recuperam grande parte da autonomia que tinham, mas algumas passam a precisar de mais apoio, sobretudo quem já tinha dificuldades antes da queda. O ritmo varia muito de pessoa para pessoa.

Depois da fratura: proteger os ossos

Uma fratura da anca é sinal de ossos frágeis. Antes da alta ou na consulta seguinte, deve ser avaliado o tratamento da osteoporose e o risco de novas quedas.

Prevenção no dia a dia

  • Retire tapetes soltos e fios do chão e garanta boa iluminação, incluindo de noite.
  • Instale barras de apoio na casa de banho e use base antiderrapante no duche.
  • Use calçado fechado e com sola antiderrapante, também dentro de casa.
  • Faça exercício de equilíbrio e de força, por exemplo programas de prevenção de quedas ou tai chi.
  • Peça ao médico para rever os medicamentos e vigie a visão.
  • Trate a osteoporose, se lhe tiver sido diagnosticada.

Perguntas frequentes

É sempre preciso operar uma fratura do colo do fémur?

Quase sempre. A cirurgia é, na maioria dos casos, a forma mais segura de aliviar a dor e permitir que a pessoa volte a andar. A decisão é sempre discutida com o doente e a família.

Quando pode voltar a andar?

Habitualmente, a pessoa dá os primeiros passos com ajuda no dia seguinte à cirurgia. A marcha vai melhorando ao longo de semanas a meses, com fisioterapia.

Quanto tempo demora a recuperação?

A recuperação mais significativa acontece nos primeiros 3 a 6 meses, mas pode continuar durante um ano. Depende da autonomia antes da queda, da saúde geral e da reabilitação.

Pode voltar a acontecer?

O risco de nova fratura existe, na mesma anca ou na outra, e também na coluna. Tratar a osteoporose e prevenir quedas reduz esse risco. Saiba mais sobre a fratura vertebral por osteoporose.

Quando marcar consulta

Perante uma queda com dor na anca e incapacidade de andar, ligue 112 ou dirija-se a uma urgência. Marque uma consulta de ortopedia para o acompanhamento depois da cirurgia, se continuar com dor na anca semanas após uma queda, ou se tem osteoporose ou quedas frequentes e quer avaliar o risco de fratura.

Para o acompanhamento da fratura ou para avaliar o risco no seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Hip fracture: management (CG124). NICE (National Institute for Health and Care Excellence), 2011, atualizada em 2023.
  2. Fraturas da Anca (Cirurgias nas primeiras 48h). ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde), dados.gov.pt, 2023.
  3. Artroplastia Total da Anca (Norma n.º 014/2013). Direção-Geral da Saúde (DGS) e Ordem dos Médicos, 2013.
  4. Broken hip. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2026.
  5. Hip Fractures. AAOS OrthoInfo (American Academy of Orthopaedic Surgeons), s.d. (consultado em 2026).

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