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Fratura vertebral por osteoporose: sintomas e tratamento

Senhora de cerca de 70 anos faz um exercício de equilíbrio apoiada numa cadeira, com uma fisioterapeuta

Uma dor forte e repentina nas costas depois de pegar num saco de compras, de tossir ou de se dobrar para apanhar alguma coisa do chão nem sempre é «um mau jeito». Em pessoas com ossos frágeis, pode ser uma fratura vertebral por osteoporose. Neste artigo explicamos porque acontece, como se reconhece, como se trata a dor e, sobretudo, o que fazer para evitar novas fraturas.

O que é uma fratura vertebral por osteoporose

A osteoporose é uma doença em que os ossos perdem densidade e resistência. Não dá dor por si própria, por isso muitas pessoas só descobrem que a têm quando partem um osso.

As vértebras são dos ossos mais afetados. Com a osteoporose, uma vértebra pode ceder e achatar-se com um esforço pequeno, ou até sem esforço nenhum. É a chamada fratura por compressão ou por achatamento. Acontece sobretudo na zona do meio e de baixo das costas.

Muitas destas fraturas passam despercebidas, porque a dor é atribuída à idade ou ao desgaste. Ainda assim, uma primeira fratura vertebral aumenta o risco de novas fraturas, tanto na coluna como na anca. Por isso, reconhecê-la é uma oportunidade importante de prevenção.

Causas e fatores de risco

  • sexo feminino, sobretudo depois da menopausa;
  • idade avançada;
  • fratura anterior por fragilidade;
  • tratamento prolongado com corticoides;
  • baixo peso;
  • tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • pouca atividade física;
  • história de fratura da anca nos pais;
  • algumas doenças, como a artrite reumatoide, e alguns medicamentos;
  • pouco cálcio na alimentação e falta de vitamina D;
  • quedas frequentes.

Sintomas

  • dor súbita e intensa nas costas, muitas vezes depois de um esforço ligeiro;
  • dor que piora de pé, a andar ou ao virar-se na cama, e alivia deitado;
  • perda de altura ao longo do tempo;
  • costas mais curvadas, a chamada corcunda;
  • quando há várias fraturas, barriga mais saliente, enfartamento depois das refeições ou falta de ar, porque o tronco fica mais curto.

Algumas fraturas não provocam dor e só são descobertas numa radiografia feita por outro motivo.

Sinais de alerta

Dirija-se de imediato a uma urgência se, além da dor nas costas, tiver perda de força ou dormência nas pernas, dificuldade em urinar ou perda de controlo da urina ou das fezes. Também deve ser avaliado com rapidez quem tem dor nas costas depois de uma queda importante, ou dor acompanhada de febre, perda de peso sem explicação ou história de cancro.

Como se faz o diagnóstico

O médico começa por ouvir a história, observar a coluna e fazer um exame neurológico. A radiografia da coluna mostra a vértebra achatada.

A ressonância magnética ajuda a perceber se a fratura é recente ou antiga e a excluir outras causas. A TAC pode ser útil para ver o osso com detalhe.

Igualmente importante é avaliar a osteoporose. Para isso pede-se habitualmente uma densitometria óssea e análises ao sangue, por exemplo ao cálcio e à vitamina D, para procurar causas que possam ser corrigidas. Estes resultados ajudam a decidir o tratamento para proteger os ossos.

Tratamento da fratura vertebral por osteoporose

Tratamento da dor e da fratura

Na grande maioria dos casos, a fratura consolida sem cirurgia. A dor costuma diminuir de forma progressiva ao longo de 6 a 12 semanas, embora varie de pessoa para pessoa. O tratamento inclui:

  • medicação para a dor, ajustada pelo médico, para permitir que a pessoa se mexa;
  • repouso relativo apenas nos primeiros dias, evitando ficar muito tempo na cama;
  • retomar a marcha cedo, de forma gradual;
  • colete, em alguns casos, durante algumas semanas, para aliviar a dor;
  • fisioterapia, para recuperar a força dos músculos das costas, a postura e o equilíbrio.

Tratamento da osteoporose

Tratar a fratura sem tratar a osteoporose deixa a porta aberta a novas fraturas. Consoante cada caso, o médico pode propor:

  • medicamentos que reduzem a perda de osso ou estimulam a formação de osso novo;
  • suplementos de cálcio e vitamina D, quando a alimentação não chega;
  • um plano para prevenir quedas.

Quando se considera um procedimento ou cirurgia

A vertebroplastia e a cifoplastia consistem em injetar um cimento próprio dentro da vértebra fraturada, através de uma agulha. Os estudos sobre o seu benefício não são consensuais: algumas revisões não encontraram vantagem clara em relação ao tratamento sem procedimento. Podem ser consideradas em casos selecionados, por exemplo com dor intensa que não melhora apesar do tratamento adequado, e a decisão é sempre individual.

A cirurgia de estabilização, com parafusos e barras, é rara. Fica reservada para fraturas que comprimem os nervos, que tornam a coluna instável ou que causam uma deformidade que se agrava.

Prevenção no dia a dia

  • Faça exercício regular, com carga e equilíbrio, como andar a pé, subir escadas com cuidado ou tai chi.
  • Inclua alimentos com cálcio, como leite, iogurtes, queijo, sardinhas com espinha e vegetais de folha verde.
  • Apanhe sol com moderação e fale com o médico sobre a vitamina D.
  • Não fume e reduza o álcool.
  • Torne a casa mais segura: boa luz, tapetes fixos ou retirados, barras de apoio na casa de banho.
  • Peça ao médico para rever medicamentos que provocam sonolência ou tonturas, e mantenha a visão vigiada.

Perguntas frequentes

A fratura vertebral cura sozinha?

Na maioria dos casos, sim: o osso consolida e a dor diminui ao longo de algumas semanas. A vértebra pode, no entanto, ficar com a forma achatada.

Preciso de usar colete?

Nem sempre. O colete pode ajudar a aliviar a dor em algumas pessoas durante um período curto. O médico avalia se faz sentido no seu caso.

A vertebroplastia é indicada para mim?

Depende da dor, do tempo desde a fratura e da resposta ao tratamento. Não é um tratamento de rotina, e a indicação é discutida em consulta, com os possíveis benefícios e riscos.

Posso voltar a ter outra fratura?

O risco existe, sobretudo nos primeiros tempos depois de uma fratura. É por isso que o tratamento da osteoporose e a prevenção de quedas são tão importantes, para a coluna e também para evitar uma fratura do colo do fémur.

Quando marcar consulta

Marque uma consulta se tiver dor nas costas que surgiu de repente depois de um esforço pequeno, se notar que está a perder altura ou a ficar mais curvado, ou se já teve uma fratura e nunca avaliou a osteoporose. Perante os sinais de alerta descritos acima, não espere pela consulta.

Para avaliar a fratura e definir um plano para proteger os seus ossos, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Prescrição da Osteodensitometria na Osteoporose do Adulto (Norma n.º 001/2010). Direção-Geral da Saúde (DGS), 2010.
  2. Portuguese recommendations for the prevention, diagnosis and management of primary osteoporosis: 2018 update. Acta Reumatológica Portuguesa, Sociedade Portuguesa de Reumatologia (Rodrigues AM et al.), 2018.
  3. Percutaneous vertebroplasty for osteoporotic vertebral compression fracture. Cochrane Database of Systematic Reviews (Buchbinder R et al.), 2018.
  4. Percutaneous vertebroplasty and percutaneous balloon kyphoplasty for treating osteoporotic vertebral compression fractures (TA279). NICE (National Institute for Health and Care Excellence), 2013.
  5. Cimentoplastia Vertebral: as controvérsias e o futuro. Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), 2018.

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