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Síndrome do túnel cárpico: sintomas e tratamento

Mulher de cerca de 50 anos massaja a palma da mão, sentada à mesa da cozinha de manhã

Acordar a meio da noite com a mão dormente e a formigar, sacudi-la até passar, sentir os dedos adormecidos ao conduzir ou ao segurar o telemóvel, deixar cair objetos sem perceber porquê. São queixas típicas da síndrome do túnel cárpico, uma das causas mais frequentes de formigueiro na mão. Neste artigo explicamos o que é, porque acontece, como se confirma e que tratamentos existem.

O que é a síndrome do túnel cárpico

No punho, do lado da palma, existe um canal estreito chamado túnel cárpico. As paredes são formadas pelos pequenos ossos do punho e o teto por um ligamento resistente. Por dentro deste canal passam os tendões que dobram os dedos e o nervo mediano, que dá sensibilidade ao polegar, ao indicador, ao dedo médio e a metade do anelar, e força a alguns músculos da base do polegar.

Na síndrome do túnel cárpico, o nervo mediano fica comprimido dentro do túnel. Primeiro surgem formigueiro e dormência. Se a compressão se mantiver durante muito tempo, pode aparecer perda de força e de destreza.

Causas e fatores de risco

Em muitas pessoas não há uma causa única. Alguns fatores aumentam o risco:

  • sexo feminino;
  • idade entre os 40 e os 60 anos, embora possa surgir em qualquer idade;
  • gravidez, em que as queixas muitas vezes desaparecem depois do parto;
  • diabetes, doenças da tiroide e artrite reumatoide;
  • excesso de peso;
  • trabalhos com movimentos repetidos e com força do punho, ou com ferramentas que vibram;
  • fraturas antigas do punho;
  • casos na família.

A relação com o uso do computador não está claramente demonstrada.

Sintomas

  • formigueiro, dormência ou sensação de choque no polegar, indicador, médio e metade do anelar, poupando habitualmente o dedo mínimo;
  • queixas que pioram de noite e acordam a pessoa, que sente necessidade de sacudir a mão;
  • formigueiro ao conduzir, ao segurar o telemóvel ou ao ler um livro;
  • dor no punho, que pode subir pelo antebraço;
  • falta de destreza, por exemplo para apertar botões ou abrir frascos;
  • deixar cair objetos;
  • nas fases mais avançadas, dormência constante e perda de volume dos músculos da base do polegar.

Sinais de alerta

Fraqueza súbita de uma mão ou de um braço, sobretudo com dificuldade em falar, boca ao lado ou alterações da visão, pode ser um AVC: ligue 112 de imediato.

Formigueiro ou dormência que surgem logo depois de uma fratura ou de um traumatismo do punho exigem avaliação urgente.

Dormência constante, perda de força ou diminuição visível do volume dos músculos da base do polegar indicam sofrimento do nervo e justificam uma avaliação rápida.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história, que é muitas vezes muito típica. O ortopedista avalia a sensibilidade e a força da mão e faz testes simples, como bater suavemente sobre o nervo no punho ou manter o punho dobrado durante algum tempo, para ver se reproduzem o formigueiro.

O diagnóstico é sobretudo clínico. A eletromiografia, um estudo da condução dos nervos, confirma o diagnóstico e mede a gravidade da compressão, e é especialmente útil quando há dúvidas ou antes de uma cirurgia. Em alguns casos pode ser feita uma ecografia do punho, e podem ser pedidas análises para procurar diabetes ou alterações da tiroide.

O médico confirma também se o formigueiro não vem de outro local, como um nervo comprimido no pescoço, de forma semelhante ao que acontece na coluna lombar com a hérnia discal lombar.

Tratamento da síndrome do túnel cárpico

Tratamento conservador

Nos casos ligeiros a moderados, o tratamento começa habitualmente sem cirurgia:

  • tala de punho para usar à noite, que mantém o punho direito e reduz a pressão sobre o nervo;
  • adaptação das atividades que agravam as queixas, com pausas e menos força no punho;
  • tratamento das doenças associadas, como a diabetes ou a tiroide;
  • infiltração de corticoide no túnel cárpico, que pode aliviar os sintomas durante semanas a meses, embora as queixas possam voltar.

Quando se considera cirurgia

A cirurgia é considerada quando as queixas persistem ou voltam apesar do tratamento conservador, quando há dormência constante, perda de força ou de volume muscular, ou quando a eletromiografia mostra uma compressão moderada a grave.

A cirurgia chama-se libertação do túnel cárpico: o ligamento que forma o teto do túnel é cortado, o que dá mais espaço ao nervo. Pode ser feita por uma pequena incisão na palma da mão (cirurgia aberta) ou por via endoscópica, com resultados semelhantes. É habitualmente feita com anestesia local ou regional, sem necessidade de internamento.

Na recuperação, o formigueiro noturno costuma melhorar nos primeiros dias ou semanas. A mão pode ser usada em tarefas leves pouco depois da cirurgia, e o regresso a trabalho de escritório faz-se habitualmente ao fim de 2 a 4 semanas. Trabalhos com força podem exigir mais tempo, a força de preensão pode levar 2 a 3 meses a recuperar, e a cicatriz pode ficar sensível durante algumas semanas a meses. Quando a compressão era grave e antiga, a recuperação da sensibilidade pode ser incompleta. Varia de pessoa para pessoa.

No dia a dia

  • Faça pausas em tarefas repetitivas e alterne as mãos quando possível.
  • Evite dormir com os punhos dobrados.
  • Mantenha um peso saudável e o controlo das doenças associadas.

Perguntas frequentes

A síndrome do túnel cárpico passa sozinha?

Por vezes, sim, sobretudo quando está ligada a uma causa temporária, como a gravidez. Noutros casos as queixas mantêm-se ou agravam-se, e o tratamento ajuda a evitar danos no nervo.

É preciso operar as duas mãos?

Só se as duas estiverem afetadas e cumprirem os critérios para cirurgia. Quando é necessário, a cirurgia pode ser feita numa mão de cada vez ou, em alguns casos, nas duas no mesmo dia, de acordo com o que for combinado em consulta.

Posso conduzir depois da cirurgia?

Habitualmente, ao fim de alguns dias a poucas semanas, quando consegue segurar o volante com firmeza e em segurança. Confirme com o médico.

A síndrome do túnel cárpico pode voltar depois de operada?

É pouco frequente, mas pode acontecer. Se as queixas voltarem, o caso deve ser reavaliado.

Quando marcar consulta

Marque uma consulta se tiver formigueiro ou dormência nos dedos que se repetem há algumas semanas, se acordar de noite com a mão dormente, ou se notar perda de força ou de destreza. Não deixe arrastar estas queixas durante muito tempo, porque a compressão prolongada pode deixar sequelas no nervo.

Para confirmar o diagnóstico e escolher o tratamento adequado ao seu caso, pode marcar consulta com a equipa do Dr. Miguel Carvalho nos Hospitais Lusíadas Amadora, Beloura e Campera.

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Punho e Mão (Literacia em Saúde). Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), s.d. (consultado em 2026).
  2. Management of Carpal Tunnel Syndrome: Evidence-Based Clinical Practice Guideline. American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), 2024.
  3. Surgical versus non-surgical treatment for carpal tunnel syndrome. Cochrane Database of Systematic Reviews (Lusa V et al.), 2024.
  4. Splinting for carpal tunnel syndrome. Cochrane Database of Systematic Reviews (Karjalainen TV et al.), 2023.
  5. Carpal tunnel syndrome. NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), 2024.

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